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Capanema - PA, 23 de Junho de 2018 -- Publicado em: 21/06/2018 às 17:49:12

Prévia da inflação oficial acelera e fica em 1,11% em junho, aponta IBGE

Essa foi a maior variação para um mês de junho desde 1995, quando ficou em 2,25%. Alta foi puxada pelo aumento nos preços de alimentos, energia elétrica e combustíveis.

Postado por: Carlinho Mix
Prévia da inflação oficial acelera e fica em 1,11% em junho, aponta IBGE

 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia da inflação oficial do país, acelerou de 0,14% em maio para 1,11% em junho, conforme divulgado nesta quinta-feira (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o IBGE, a alta foi puxada pelo aumento nos preços de alimentos, da energia elétrica e dos combustíveis. O instituto já previa que haveria alta no indicador deste mês como resultado da greve dos caminhoneiros, que paralisou o país nos últimos dez dias de maio.

Variação mensal do IPCA-15
Em %
0,240,240,160,16-0,18-0,180,350,350,110,110,340,340,320,320,350,350,390,390,380,380,10,10,210,210,140,141,111,11Maio de 2017Junho de 2017Julho de 2017Agosto de 2017Setembro de 2017Outubro de 2017Novembro de 2017Dezembro de 2017Janeiro de 2018Fevereiro de 2018Março de 2018Abril de 2018maio de 2018junho de 2018-0,2500,250,50,7511,25
Janeiro de 2018
0,39
Fonte: IBGE

Com a acelaração do índice em junho, o acumulado no ano ficou em 2,35%, acima do registrado em junho do ano passado, quando era de 1,62%. O acumulado nos últimos 12 meses foi 3,68%, acima dos 2,70% registrados nos 12 meses anteriores.

Dentre os nove grupos de consumo pesquisados pelo IBGE, três tiveram maior impacto no índice de junho. Foram eles os grupos de Alimentação e bebidas (1,57%), Habitação (1,74%) e Transportes (1,95%). Juntos, os três grupos corresponderam a 91% do índice do mês, segundo o IBGE.

Veja as variações dos grupos pesquisados:

 

  • Alimentação e Bebidas: 1,57%
  • Habitação: 1,74%
  • Transportes: 1,95%
  • Artigos de Residência: 0,38%
  • Vestuário: -0,08%
  • Saúde e Cuidados Pessoais: 0,55%
  • Despesas Pessoais: 0,22%
  • Educação: 0,01%
  • Comunicação: 0,02%

 

Comer em casa ficou ainda mais caro

 

A alta de 1,57% nos preços do grupo dos Alimentos aconteceu depois de ter caído 0,05% em maio. A alimentação no domicílio foi a que mais impulsionou o aumento, segundo o IBGE. De 0,09% registrado em maio, acelerou para 2,31% em junho.

Dentre os ítens alimentícios com maiores altas nos preços, o IBGE destacou a batata-inglesa (45,12%), cebola (19,95%), tomate (14,15%), leite longa vida (5,59%), carnes (2,35%) e frutas (2,03%).

A alimentação fora de casa (0,29%) também mostrou aceleração no nível de preços ante a queda de 0,28% registrada em maio.

 

Custo da energia

 

A energia elétrica foi o ítem que mais impactou a alta do grupo de Habitação. Com alta de 5,44% na média nacional, a conta de luz representou o segundo maior impacto individual no IPCA-15 de junho.

Segundo o IBGE, além da vigência, a partir de 1º de junho, da bandeira tarifária vermelha patamar 2, adicionando a cobrança de R$0,05 a cada kwh consumido, foram aplicados reajustes nas tarifas de cinco regiões metropolitanas:

 

  • Belo Horizonte (11,14%) - reajuste de 18,53% a partir de 28 de maio
  • Recife (8,18%) - reajuste de 8,47% a partir de 29 de abril
  • Salvador (8,77%) - reajuste de 16,95% a partir de 22 de abril
  • Fortaleza (4,18%) - reajuste de 3,80% a partir de 22 de abril
  • Porto Alegre (3,70%) – reajuste de 9,85% a partir de 19 de abril

 

No grupo dos Transportes, os preços dos combustíveis, que haviam caído 0,17% em maio, tiveram alta de 5,94%. O destaque foi a gasolina, que acelerou de 0,81% em maio para 6,98% em junho) e representou 28% do IPCA-15 de junho. O etanol acelerou em junho (2,36%), após a deflação (-5,17%) registrada em maio. O óleo diesel subiu 3,06%, após a alta de 3,95% de maio.

 

Ainda no grupo de transportes, as passagenes aéreas tiveram queda de 2,12% em junho - menos intensa que a registrada em maio, que foi de -14,94%.

 

Alta generalizada dos preços no país

 

O IBGE destacou que a aceleração de preços de maio para junho ocorreu em todas as 11 regiões pesquisadas, com a região metropolitana de Belo Horizonte mostrando o maior resultado (1,37%), influenciada pelos itens gasolina (6,77%) e energia elétrica (11,14%). As regiões metropolitanas de Belém (0,76%) e de Recife (0,95%) registraram índices abaixo da média para o país.

 

Meta de inflação

 

Após greve dos caminhoneiros, o mercado tem elevado as expectativas de inflação e baixado as previsões de alta do PIB para este ano. A previsão dos analistas para a inflação em 2018 avançou de 3,82%, na semana retrasada, para 3,88% na última semana. Foi a quinta alta seguida do indicador.

Ainda assim, o percentual esperado pelos analistas continua abaixo da meta de inflação que o Banco Central precisa perseguir neste ano, que é de 4,5% e dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema – a meta terá sido cumprida pelo BC se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar entre 3% e 6%.

Para o resultado do PIB em 2018, os economistas dos bancos baixaram a previsão de crescimento de 1,94% para 1,76% na semana passada. Foi a sétima queda seguida do indicador. Há um mês, a estimativa de crescimento da economia, para este ano, estava em 2,50%.

Segundo analistas ouvidos pelo G1a greve dos caminhoneiros deve prejudicar o crescimento do país no segundo trimestre. Alguns, inclusive, já reduziram a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e também do ano por causa da paralisação.

 

Metodologia

 

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados entre 16 de maio a 13 de junho de 2018 e comparados com os de 14 de abril a 15 de maio de 2018. O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

 

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